O penúltimo dia de competição em Pequim não podia ter sido mais emocionante. Desde o início da jornada que se esperava que Ashton Eaton pudesse bater o recorde do mundo no decatlo – que ele próprio colocou em 9039 pontos em 23 de junho de 2012.
Depois de ontem ter feito uns 400 metros brilhantes (novo recorde do decatlo com 45.00), hoje perdeu alguns pontos na vara ao saltar 5,20, ficando a 45 pontos do ritmo para bater o recorde. Compensou com prestações fortes do dardo (63,63) e nos 1500 metros (4:17.52), chegando ao final dos dez eventos com os 9045 pontos que lhe permitem estabelecer uma nova melhor marca mundial.
O canadiano Damien Warner (8695) e o alemão Rico Freimuth (8561) completaram o pódio do decatlo. Para Eaton o domínio é total: desde 2012 ganhou dois Mundiais de pista coberta, Jogos Olímpicos e o Mundial ao ar livre; neste caso a recompensa teve reflexo económico com um prémio de 160 mil dólares (100 mil pelo recorde e 60 pela vitória).
Atletismo
Pequim: Schippers é a rainha do sprint
28/08/2015 AT 13:48

Nickel Ashmeade, Asafa Powell, Usain Bolt e Nesta Carter

Image credit: Reuters

BOLT E FARAH AUMENTAM A LENDA
Outro dos pontos altos da jornada foram as estafetas 4x100 metros, ambas ganhas pela Jamaica. Nos homens foi o continuar da luta entre Bolt e Gatlin, com os jamaicanos (que apresentaram ainda Nesta Carter, Asafa Powell e Nickel Ashmeade) a consumarem o domínio no sprint às custas de uma favorita seleção dos Estados Unidos que acabou desclassificada após uma passagem do testemunho fora da zona indicada entre Tyson Gay e Mike Rodgers.
Mesmo sem o problema técnico os americanos nunca ameaçaram a Jamaica, que ganhou com 37.36 face aos 37.77 dos Estados Unidos, posteriormente desclassificados. Com isso a China ficou com a prata, enquanto o Canadá ficou com o bronze. É o terceiro Mundial consecutivo para a estafeta jamaicana e a 11ª medalha de ouro para Bolt em Campeonatos do Mundo.
Na prova feminina o mesmo cenário e desfecho semelhante. As campeãs olímpicas dos Estados Unidos foram vergadas na pista à superioridade do quarteto composto por Veronica Campbell-Brown, Natasha Morrison, Elaine Thompson e Shelly Ann Fraser-Pryce, que finalizaram em 41.07 com um novo recorde dos campeonatos. Trinidad e Tobago ficou com o bronze.

Mo Farah

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Outro atleta que sai de Pequim reforçado é o britânico Mo Farah, que após dar um baile aos quenianos nos 10 mil metros repetiu a dose nos 5 mil, defendo o título após resistir na ponta final a um ataque Caleb Mwangangi Ndiku que teve que se contentar com a prata. A prova foi lenta, o que favoreceu o britânico e permitiu um tempo de 13:50.39. O bronze foi parar ao etíope Hagos Gebrhiwet (2º em Moscovo). Farah aumenta a lenda com mais uma dobradinha: Jogos Olímpicos de Londres 2012, Mundial de Moscovo 2013 e Europeus de Zurique 2014.
ALTURA, DISCO E 800 METROS JÁ TÊM CAMPEÕES

Piotr Malachowski

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Ficaram também definidos mais três títulos mundiais nesta penúltima jornada. Nos 800 metros femininos o ouro foi para a Bielorrússia, que conseguiu a primeira medalha nos Mundiais através da campeã da Europa, Marina Arzamasova (1:58.04). A prata foi para Melissa Bishop, do Canadá, e o bronze para Eunice Sum, do Quénia.
No lançamento do disco masculino chegou finalmente o momento do sargento do exército polaco, Piotr Malachowski, campeão da Europa em Barcelona, em 2010, mas que em Mundiais e Olimpíadas ficou sempre com a prata (Berlim 2009 e Moscovo 2013, além de Londres 2012). Desta vez o polaco dominou a prova com um lançamento de 67,40m e ficou à frente do belga Philip Milanov (66,90m recorde nacional) e do também polaco Robert Urbanek (65,18m).
A russa Maria Kuchina, a croata Blanka Vlasic (ouro nos Jogos de 2008 neste mesmo estádio) e a campeã olímpica e líder do ranking de 2015, Anna Chicherova, dividiram as medalhas na prova do salto em altura, no Ninho de Pássaro. O concurso ficou-se pelos 2,01m já que nenhuma das três saltadoras ultrapassou os 2,03m, tendo sido os nulos nas rondas anteriores a definir as posições do pódio.
TOTH COLOCA A ESLOVÁQUIA NO MAPA DOS MUNDIAIS
Matej Toth da Eslováquia, vice-campeão europeu desta distância, melhorou a prestação face aos Mundiais de Moscovo (onde foi 5º) e ganhou os 50 km marcha, a prova mais longa dos Mundiais de atletismo.

Matej Toth

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Toth levou o ouro com o tempo de 3:40.32, batendo por mais de um minuto o australiano Jared Tallent (3º nos dois últimos Mundiais e 2º nas duas últimas edições dos Jogos Olímpicos), enquanto pelo bronze houve uma luta a três com o japonês Takayuki Tanii a ser mais forte do que o compatriota Hirooki Arai e que o irlandês Robert Heffernan para fechar no 3º lugar com 3:42:55.
Esta é a primeira medalha de ouro para a Eslováquia em Mundiais, já que até 1991 competiu como parte da Checoslováquia. Nota ainda para o único português presente na prova, Pedro Isidro, que sai de Pequim com um novo recorde pessoal ao ter terminado em 21º lugar com a marca de 3:55.44 horas. O atleta do Benfica ganha desta forma moral para os Jogos Olímpicos do Rio, no próximo ano.
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