Cahier de Voyage / Le Mans 5ª Feira
Ontem à noite, aquela volta de qualificação de Neel Jani no Porsche 919 Hybrid foi demais. Um “droga” pesada, daquelas que nos deixa eufórico por muitas horas (dias?). Os 13,629 km da pista de Le Mans feitos em 3m16, a uma média a tocar os 250 km/h, é um momento alucinógeno. Tinha prometido não falar de corridas nestes “cahier”. Teve de ser. A paixão falou mais alto.A paixão pelo Desporto Motorizado fervilha quando menos esperamos. Não tem aviso prévio, não pede para “ser convidada”. Se calhar ainda a “ressacar”, vivi hoje outra situação parecida, daquelas de arrepiar, e quando não esperava - em plena conferência de imprensa do ACO, o clube organizador das 24 Horas.

Depois de revelarem regras dos GT e LMP2 para o futuro (essas nem me deixaram muito satisfeito), surgiu no palco Lesa France Kennedy, que juntamente com o irmão manda no NASCAR e na pista de Daytona. Veio apresentar as obras nas bancadas da famosa oval americana, que serão um novo marco na arte de receber os “clientes”, ou seja os espectadores. Mostrou um vídeo, com um texto fabuloso a acompanhá-lo. Arrepiei-me! Bastou um filme para ter aquela sensação boa, de prazer, de vontade de, quando acabarem as 24 Horas, voar directo para Daytona Beach!
É outra das catedrais onde sou “devoto”, seja nas 500 Milhas do NASCAR, seja nas 24 Horas de Daytona (onde o João Barbosa já ganhou duas vezes à geral e Filipe Albuquerque na classe), seja nas 200 Milhas das Motos. Porque tem história, tem carisma, tem espectáculo, faz o espectador, mais ou menos fã, querer voltar, por que se sente parte da grande festa. Le Mans e Daytona (e poucos mais sítios), são a glorificação daquilo que é, e sempre foi, a magia do Desporto Motorizado.

Para reduzir o nível de batidas (do coração), entrei no Museu das 24 Horas de Le Mans. Estão lá muitos carros que fizeram a história da prova, desde o primeiro Chenard & Walker em 1923, até um dos mais recentes Audi R18 e-tron quattro.
Na grande maioria, carregam ainda as cicatrizes das corridas. São verdadeiramente história viva, ainda que estejam parados. Permitem-nos ser saudosistas de outros tempos, confirmando ao mesmo tempo que os carros actuais são ainda mais espectaculares.
Foi o mote para voltar a pensar na volta de 3m16.887s de Neel Jani e na possibilidade de nas duas qualificações de hoje, a partir das 18h00 (de Portugal Continental), a marca voltar a cair e ser batido o recorde da média mais elevada de sempre (todas as variações do traçado confundidas), com 251,815 km/h (Hans Stuck - Porsche 956 – 1985), numa altura em que não havia chicanes na longa recta e a pista era muito mais veloz. Adivinhem o que aconteceu? Arrepiei-me outra vez!
Automobilismo
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24h le mans museum matra simca

Image credit: Eurosport

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