Gonçalves não só superou com distinção o desafio de chegar ao fim da sua primeira grande volta da carreira, como foi um dos ciclistas mais combativos, senão o mais combativo, do pelotão. A sua campanha inolvidável começou a ganhar forma logo na 2ª etapa, uma tirada difícil com uma chegada ao alto em Caminito del Rey. O ciclista português de 26 anos integrou a fuga do dia e foi reconhecido com o prémio da combatividade. Dois dias depois, em Vejer de la Frontera, aguentou o andamento da elite nos quatro quilómetros finais duríssimos e cruzou a linha de meta em quinto lugar, com o mesmo tempo do vencedor, Alejandro Valverde.
Na etapa 10 voltou a fechar Top 5, desta feita numa chegada ao sprint demonstrando toda a sua polivalência. Em Andorra e nas Astúrias trabalhou para David Arroyo e Omar Fraille (camisola de montanha) e começou a última semana com um soberbo desempenho no contrarrelógio individual em Burgos, terminando com o 18º melhor registo.
No dia seguinte, na etapa 18 que ligou Roa a Riaza voltou a estar em evidência e desta feita conseguiu mesmo alcançar o pódio ao terminar na terceira posição, a 18 segundos de Nicolas Roche e Haimar Zubeldia, primeiro e segundo classificados, respectivamente.
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A perseverança de José Gonçalves permitiu que lograsse ainda o segundo posto em Cercedilla, na penúltima etapa da Vuelta, que teve como vencedor Rúben Plaza.

José Gonçalves Caja Rural

Image credit: Eurosport

Como o próprio referiu, só a vitória faltou. Mas aos olhos dos portugueses José Gonçalves foi um vencedor em terras de nuestros hermanos e representou com distinção as cores da bandeira nacional terminando num prestigiante 34º posto da geral.
Presença constante nas fugas, praticamente não houve dia em que o dorsal 145 não estivesse em destaque naquela que foi a sua primeira Vuelta. A sua prestação ambiciosa chamou a atenção dos média nacionais e internacionais que durante as três semanas não pouparam elogios rasgados ao desempenho do ciclista barcelense que foi, inquestionavelmente, uma das revelações da 70ª edição da Vuelta.
Não fosse o descalabro de Tom Dumoulin na penúltima etapa, onde perdeu a camisola vermelha, e que motivou a organização da Vuelta a atribuir o prémio do mais combativo ao holandês, essa distinção teria, certamente, ido para o ciclista português da Caja Rural.
Omar Fraille conquistou a camisola de montanha para a Caja Rural mas foi José Gonçalves o porta-estandarte da equipa ao longo das três semanas. Foi raro o dia em que o português não foi para a fuga e a visibilidade que trouxe à formação pro-continental espanhola foi ímpar.
Completo em todos os terrenos e com uma excelente velocidade de ponta o talento que é José Gonçalves não passou despercebido a ninguém e será, certamente, um trampolim para uma equipa do World Tour.
“Quero ver como é que o meu corpo reage a uma prova de três semanas. Até 11 etapas sei que tenho capacidade para aguentar mas depois é uma incógnita. O objectivo é chegar ao fim e tentar, se possível, vencer uma etapa”, disse Gonçalves no início da Vuelta. Não venceu a etapa por que tanto se bateu, dia após dia, mas pouco faltou. A sua prestação ficou marcada pela entrega e pelo espirito de sacrifício. Pela garra lusitana. Aos 26 anos José Gonçalves anunciou-se ao mundo a alto e bom som. Agigantou-se frente a rivais de renome e as suas pedaladas ecoaram na elite do ciclismo mundial.
A caminho dos Mundiais

José Gonçalves Caja Rural Jose Goncalves

Image credit: Eurosport

Gonçalves recebeu o voto de confiança seleccionador português, José Poeira, representar pela primeira vez a selecção nacional em elite em Mundiais. A prestação na Volta à Portugal e, sobretudo na Vuelta, permitiu-lhe carimbar o passaporte para Richmond onde espera ter uma estreia auspiciosa ao lado dos compatriotas Rui Costa e Nelson Oliveira.
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