Será um ano modesto quanto a número de participantes portugueses no Tour, mas nem sempre quantidade é sinónimo de bons resultados. À partida relembremos dois dados que nos acompanharão nas próximas três semanas. Primeiro, em 102 edições da prova francesa só cinco portugueses conseguiram ganhar etapas: Joaquim Agostinho (5), Acácio da Silva (3), Rui Costa (3), Paulo Ferreira e Sérgio Paulinho uma cada. Segundo, o primeiro a participar foi Alves Barbosa, em 1956, mas é Agostinho o recordista de presenças lusas na corrida (13) e da melhor performance (3º em 1978 e 1978, ambas edições ganhas por Bernard Hinault).
O CAÇA-ETAPAS DE LUXO

rui costa lampre merida

Image credit: Eurosport

Ciclismo
Camisolas arco-íris em jogo nos Campeonatos do Mundo de Ciclismo de Estrada
17/09/2021 AT 12:18
Para Rui Costa a missão é diferente dos dois últimos anos, onde chegou com a responsabilidade de liderar a formação italiana. Como o próprio admitiu em entrevista ao Eurosport, no início de abril, a ideia é "ir livre de pressão e tentar ganhar uma etapa, pois é difícil saber até que ponto o meu corpo se adapta bem a uma corrida tão exigente de três semanas. Considero que é mais importante e mais visível uma vitória de etapa do que um 10º lugar”.
Bluff ou mudança de estratégia? Após dois abandonos consecutivos como líder, há agora que esperar pela resposta do campeão do mundo em 2013, que no palmarés tem 3 vitórias em etapas no Tour de France e (com esta) 8 presenças – o 18º lugar de 2012 é o melhor resultado final do poveiro.
Esta época Rui Costa ainda não ganhou, mas tem apresentado uma regularidade interessante em corridas por etapas: 7º na Volta à Suíça, 6º na Romandia, 7º no País Basco, 10º no Paris-Nice e 5º em Omã. Olhando para esta lista percebe-se que estamos perante um candidato ao Top 10, mas como na cabeça do poveiro só a vitória ou um pódio seriam resultados aceitáveis, percebe-se o porquê da aparente redefinição de objetivos. Sendo realistas, com Froome, Quintana, Contador na primeira linha de candidatos, e uma segunda onde podemos falar de Pinot, Bardet, Porte, Aru e Nibali, estamos perante um lote de rivais para a geral dos mais fortes da história da Volta a França.
O GREGÁRIO QUE NUNCA CORREU COM QUINTANA
Também confirmado está Nelson Oliveira, que recentemente renovou o título nacional de contrarrelógio em Braga. A chamada ao "9” da Movistar é a recompensa após recuperar da fratura da clavícula que sofreu no Paris-Roubaix. Oliveira integra um bloco exclusivamente a pensar na ajuda ao "Sonho Amarelo”, campanha que a Movistar tem lançado nas redes sociais como forma de apoiar o líder Nairo Quintana.

Nelson Oliveira Movistar

Image credit: From Official Website

A chamada do português para a guarda de honra não surpreende, já que nas duas últimas épocas fez um trabalho semelhante para Rui Costa, mas não deixa de ser interessante de analisar por um pormenor: Nelson e Nairo não coincidiram em nenhuma competição este ano! Aparecer nos eleitos reforça a confiança que a equipa espanhola tem nas qualidades do tetracampeão nacional de contrarrelógio, um bom escalador, mas que brilha sobretudo quando aciona o modo "rolador", que poderá ser chave em dias armadilhados pelo vento. Recordemos que Quintana perdeu o Tour do ano passado por 1:12, uma diferença que não foi feita nas montanhas, mas num descuido da Movistar que logo ao segundo dia custou 1:28 ao colombiano, após uma "bordure” (corte potenciado pelo vento) junto ao mar do Norte, em território holandês.
PAULINHO DE FORA, ARMINDO O REPRESENTANTE DA DIÁSPORA
Em teoria, Portugal deveria ter um terceiro representante à partida no Mont-Saint-Michel, este sábado: por uma questão de experiência, por estar em forma, por ter ido ao ensaio-geral no Dauphiné e porque sempre esteve ao lado de Alberto Contador nos momentos decisivos da carreira do Pistolero, Sérgio Paulinho deveria ter sido convocado pela 8ª vez para o Tour.

Sergio Paulinho e Alberto Contador

Image credit: Eurosport

A estratégia bicéfala da Tinkoff – que leva Contador e Peter Sagan como líderes – cortou pelo menos duas posições para habituais gregários do espanhol. Após um 2015 em que se sacrificou pelo líder fazendo a estreia no Giro, que Contador ganhou, Paulinho contava estar no Tour para, aos 36 anos, ajudar o chefe de fila a chegar ao terceiro Tour da carreira – depois de já o ter feito nas campanhas vitoriosas de 2007 e 2009.
Não temos Paulinho, mas há que ter um carinho especial pelo luso-francês Armindo Fonseca, que alinhará numa das equipas da casa, a Fortuneo-Vital Concept. O corredor nascido em Rennes, mas filho de pai português – praticante de ciclismo que aos 13 anos o convenceu a apostar nas duas rodas em vez do futebol – fará a terceira participação no Tour. A missão de Armindo Fonseca passa por ajudar na preparação dos sprints de Dan McClay e tentar a sorte em etapas com final em falso plano, já que tem uma boa capacidade de arranque neste tipo de terreno.
Ciclismo
Começa uma nova época do PGA Tour para seguir no Eurosport
15/09/2021 AT 17:13
Ciclismo
Volta ao Luxemburgo com João Almeida abre semana de muito ciclismo no Eurosport
14/09/2021 AT 11:04