Um dos maiores segredos numa equipa profissional – seja ela de ciclismo, de futebol ou de outra modalidade qualquer – é o orçamento. No caso da Sky há alguns mistérios, mas a informação que é conhecida permite perceber como funciona a economia da formação que é detida em 85% pelo grupo multimédia Sky UK e que tem contrato de patrocínio garantido até final de 2016.
Num louvável ato de transparência a equipa tornou um hábito a publicação do relatório anual de contas. Logo à cabeça ressalta um número: 31,1 milhões de Euros. Este é o orçamento da Sky, que em 2014 aumentou em 16% o orçamento face ao ano anterior. Se a grande fatia das receitas vem do patrocinador principal – cerca de 22 milhões – há cerca de 8 milhões de Euros que são aportados pelo que a Sky chama “performance sponsorship”, verba que marcas parceiras como Pinarello, Shimano e Tata Motors’ Jaguar pagam por se associarem à Sky. Imaginam quantas equipas podiam viver só com este patrocínio técnico?

Sir Bradley Wiggins (AFP)

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Isto serve para introduzir o tema principal do artigo: porque é que Sky está a mexer tanto no mercado de transferências?
Para explicar as entradas, há que começar pelas saídas. Bradley Wiggins tinha um peso no orçamento de entre 3-4 milhões de Euros ao ano; Richie Porte (que deve ir para a BMC) estava abaixo disso, mas também é um peso-pesado. Saindo ambos da folha de pagamentos a Sky ganha uma margem importante de negociação e está a usá-la para comprar “barato”.
Mikel Landa, 3º classificado no Giro, é o caso mais emblemático. Diz a imprensa espanhola que rejeitou ofertas da Movistar (Movistar ofereceu 1,5 milhões/ano) e da Katusha, que terá colocado um cheque em branco à frente do homem da Astana. Ora, pelos vistos Landa vai aceitar a oferta da Sky que é bem inferior e ronda 1,2 milhões por dois anos de contrato. Porquê? Possivelmente porque a Sky lhe garante estabilidade, uma metodologia de trabalho que dá resultados e a garantia de liderar no Giro e na Vuelta, objetivos estipulados pelo próprio Landa para os próximos anos, na preparação para atacar o Tour – território que até 2017 deve ser exclusivo de Chris Froome, que ainda tem 30 anos.

Beñat Intxausti (Movistar)

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Rumores que surgiram esta semana dão ainda contra de outras três operações. Ao que parece, segundo os diários El País e AS, a caminho da Sky podem estar Beñat Intxausti, vencedor de duas etapas no Giro d’Italia e 4º no último Critérium du Dauphiné. Já o Cycling News adianta que há interesse nos irmãos Gorka e Ion Izagirre.
O ataque à rival Movistar é direto e retiraria a Eusebio Unzue parte importante do bloco dos trepadores. A nível negocial há detalhes que explicam esta operação: os quatro corredores são naturais do País Basco, partilham o empresário italiano Giuseppe Acquadro e coincidiram na Euskaltel-Euskadi. O facto de encontrarem na Sky um Mikel Landa que cumpre estes requisitos terá ajudado na decisão.
No ar ficam outros potenciais reforços que se associaram à Sky, sobretudo o campeão mundial Michal Kwiatkowski, que vai deixar a Etixx e que deve levar consigo o compatriota Michal Golas.
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