É um dos pontos altos da temporada de “cross country”. O Tour de Ski, uma duríssima competição de 7 provas em 9 dias inserida no calendário da Taça do Mundo, na qual homens e mulheres lutam pelo troféu mais desejado.
Dia 31 de dezembro é sinónimo de festa para muita gente no mundo inteiro, que se prepara para festejar mais uma passagem de ano. Todo o contrário dos esquiadores e esquiadoras de fundo que entram em ação em Val Müstair, na Suíça. É o primeiro palco de quatro que compõem o Tour de Ski. Seguem-se os de Obertsdorf, na Alemanha, Toblach/Dobbiaco e Val di Fiemme, ambos em Itália.
A prova foi incialmente criada na época 2006/2007 e inspirou-se no exemplo da Volta a França em bicicleta. Nasceu a partir da ideia de dois antigos esquiadores amigos. Começou de forma modesta, com poucos participantes, mas a popularidade do modelo cresceu e foi ganhando maior importância. De tal maneira, que a Taça do Mundo conta atualmente com mais dois Tours na época: o de abertura e o final.
Todos os anos, entre dezembro e janeiro, centenas de esquiadores de fundo competem num número de provas que varia entre seis a nove. O “prize money” a distribuir entre homens e mulheres chega a um total de 1.055.000 francos suíços, qualquer coisa como 844.000 euros.
Como funciona?
Durante vários dias, os esquiadores competem em várias provas de diferentes distâncias e especialidades como Sprint, Partida em Massa, Esquiatlo ou Perseguição. O resultado da classificação geral de cada esquiador é obtido a partir dos tempos de cada prova individual. O tempo vai acumulando e as diferenças acentuando-se. No entanto, os resultados podem ser melhorados obtendo bónus de segundos nas provas de Sprint e de Partida em Massa. Existem ainda zonas intermediárias que podem valer também bonificações, tal como no ciclismo.
A derradeira etapa inclui uma subida ao Alpe Cermis, onde os competidores terão de superar uma duríssima zona onde a inclinação chega a atingir um máximo de 28 por cento. No último evento, que consiste numa prova de Perseguição de 9 quilómetros, o líder da classificação geral parte na frente, enquanto os restantes esquiadores partem com a diferença de segundos que os separa na tabela. Deste modo, garante-se que o primeiro a cortar a meta é o vencedor final do Tour.
A Noruega tem dominado a competição nos últimos anos. Tanto no setor feminino como no masculino, os esquiadores nórdicos não perdem há três edições. Nas senhoras, o domínio é tal que o pódio da geral tem sido preenchido na sua totalidade por esquiadoras norueguesas nos últimos três anos.
A polaca Justyna Kowalczyk é a esquiadora com maior número de troféus do Tour de Ski, com um total de quatro, conquistados de forma consecutiva entre 2010 e 2013. É igualmente a esquiadora com maior número de vitórias individuais com um total de 14. As norueguesas Marit Bjørgen e Therese Johaug surgem em segundo lugar com 11 cada.
Nos homens, o suíço Dario Cologna destaca-se com maior número de troféus com um total de três. No entanto, o norueguês Martin Johnsrud Sundby, campeão do Tour em duas ocasiões, totaliza 13 vitórias em etapas. Bem distante de Cologna que soma apenas cinco.
Para o Tour deste ano o grande ausente, entre os noruegueses, será Petter Northug. O atleta de 30 anos, preferiu concentrar a sua preparação para os Campeonatos do Mundo de Esqui Nórdico, em Lahti, na Finlândia, em fevereiro. Nas senhoras, a campeã a norueguesa Therese Johaug também não marcará presença na prova por estar a cumprir uma suspenção por doping.
Lista de vencedores:
Homens Mulheres
2016 – Martin Johnsrud Sundby (Noruega) Therese Johaug (Noruega)
2015 – Petter Northug (Noruega) Marit Bjørgen (Noruega)
2014 – Martin Johnsrud Sundby (Noruega) Therese Johaug (Noruega)
2013 – Alexander Legkov (Rússia) Justyna Kowalczyk (Polónia)
2012 – Dario Cologna (Suíça) Justyna Kowalczyk (Polónia)
2011 – Dario Cologna (Suíça) Justyna Kowalczyk (Polónia)
2010 – Lukás Bauer (República Checa) Justyna Kowalczyk (Polónia)
2009 – Dario Cologna (Suíça) Virpi Kuitunen (Finlândia)
2008 – Lukás Bauer (República Checa) Charlotte Kalla (Suécia)
2007 – Tobias Angerer (Alemanha) Virpi Kuitunen (Finlândia)
António Lopes, comentador de “cross country” do Eurosport: “O Tour de Ski representa a competição mais importante da Taça do Mundo, porque pode garantir até 750 pontos nas contas da classificação geral. Uma vitória vale 50 pontos por prova e o triunfo no Tour vale 400. Isso ajuda imenso nas contas finais. Quem ganhar o Tour tem, na maioria das vezes, uma mão no globo de cristal, ou seja, o troféu relativo à conquista da Taça do Mundo.
Este ano, acredito que Martin Johnsrud Sundby e Finn Hågen Krogh são os favoritos à vitória final no setor masculino. No entanto, a jovem sensação Sergey Ustiogov da Rússia pode surpreender.
Nas senhoras, mesmo com Therese Johaug ausente, as favoritas continuam a ser as norueguesas”.