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Norton de Matos - "A Guiné-Bissau pode ser a grande surpresa desta competição!"

Norton de Matos - "A Guiné-Bissau pode ser a grande surpresa desta competição!"

The 19/06/2019 at 18:36Updated The 21/06/2019 at 12:14

Entrevista exclusiva ao treinador português que vai comentar a CAN no Eurosport.

Quais são as seleções a seguir com atenção nesta CAN e qual delas é a grande favorita a erguer a taça?

“Acredito que que Egito, Senegal, Marrocos e Camarões são as quatro seleções a ter debaixo de olho nesta edição da CAN. O Egito é claramente favorito por jogar em casa e ter sido finalista na última edição. Vai ter os estádios cheios de adeptos fervorosos, que tornam o ambiente favorável. É quase como ter um 12.º jogador em campo. Por essa razão, o Egito é a minha seleção favorita a erguer a taça. Depois, temos Senegal e Marrocos que podem chegar muito longe na competição devido à qualidade dos seus jogadores. Os Camarões venceram a última CAN, mas no papel não são tão fortes como as seleções que mencionei antes.”

“Gostaria de destacar ainda a seleção da Guiné-Bissau que, para mim, pode ser a grande surpresa desta competição. Chega com mais experiência depois da estreia há dois anos. Na altura foi punida precisamente por essa falta de experiência. Neste momento, a equipa chega mais solta e confiante e a prova disso é a forma como carimbou o passaporte para a CAN2019, com relativa facilidade. A qualidade dos jogadores que começaram há uns anos não deixa margem para dúvidas. Na altura, tinham jogadores que representavam clubes da terceira e segunda divisão e, hoje em dia, já há muitos mais em clubes da primeira divisão de vários campeonatos de peso.”

Quais as estrelas a ter debaixo de olho nesta CAN e as grandes surpresas?

“Não há dúvidas! O Mohamed Salah e o Sadio Mané serão as grandes figuras desta CAN, mas, como em todas as competições, haverá jogadores que podem constituir uma surpresa ou revelação. Pode haver um mundial com o Cristiano Ronaldo e o Leonel Messi, mas depois aparecem outros jogadores que ofuscam as figuras principais. Creio que será o caso Hakim Ziyech (Marrocos/Ajax), que para mim já é uma confirmação. Depois temos os casos de Noussair Mazraoui (Marrocos/Ajax), Achraf Hakimi (Marrocos/Borussia Dortmund) e de Ismaila Sarr (Senegal/Stade Rennais FC), que podem vir a ser grandes revelações nesta CAN.”

Quais as hipóteses de Angola e Guiné-Bissau? Até onde podem chegar?

“Angola vai ter no caminho as seleções da Tunísia, Mali e Mauritânia. No papel, a Tunísia e o Mali são favoritas a seguir em frente no grupo, mas Angola tem uma carta importante a jogar. Poderá passar como um dos melhores terceiros lugares. Será esse o primeiro grande objetivo. O desafio de Angola é ter uma vitória e terá de a conseguir contra a Mauritânia, a mais acessível no papel, porque haverá várias equipas com 3 pontos. Dos “Palancas Negras” destaco um jogador que orientei no Benfica B, o Bruno Gaspar (Sporting Clube de Portugal). No entanto, o Wilson Eduardo (Sp. Braga) é a figura da equipa.”

“Angola é orientada por Srdjan Vasiljevic, um técnico da escola sérvia, que assenta as suas ideias num futebol organizado, de disciplina e rigor. As equipas geralmente apresentam um futebol apoiado, onde a comunicação é muito importante.”

“A Guiné-Bissau tem um grupo mais complicado onde os favoritos a passar são Camarões e Gana. A luta pelo terceiro lugar será com o Benim. Mas, com aquilo que demonstrou na última CAN e, sendo a equipa praticamente a mesma de há dois anos, penso que a Guiné-Bissau tem tudo para passar aos oitavos-de-final.”

“A Guiné-Bissau apresenta um plantel mais forte, tem o Romário Baldé e o Frédéric Mendy assim como outros jogadores experientes do campeonato português e que dão mais consistência à seleção, comparando com a que jogou a CAN há dois anos. Acredito que pode haver uma surpresa muito positiva. Quer dizer, uma surpresa para quem não conhece a seleção da Guiné-Bissau. Esteve quase a fazer a surpresa há dois anos.”

“É orientada pelo Baciro Candé que já treinou o Sporting da Guiné e foi campeão vários anos. Um treinador local faz todo sentido. O adjunto dele, o Romão, foi meu adjunto no tempo em que orientei a seleção da Guiné-Bissau.”