Acabaste de renovar o contrato com o Inter Movistar até 2020. É o teu último contrato em Espanha?
Sinceramente não sei. Também não estava à espera de ficar aqui tantos anos. Sempre deixei claro que gostava de voltar ao Benfica. Sei que o Benfica queria muito que eu voltasse, mas as condições hoje em dia já são difíceis para poder voltar atrás. Já abdiquei de muito dinheiro noutros tempos e agora estou a juntar, pela primeira vez, o dinheiro com os títulos, o estar numa grande liga, num grande clube e quero continuar por mais anos.
O fim de carreira não é para breve?
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26/04/2017 AT 10:48
Eu não sei quando é que vou estar preparado. Não somos nós que abandonamos a modalidade, é ela que nos abandona a nós. Não sei quando vai ser esse dia, mas não esta nos meus planos que aconteça antes dos 37 anos.
Já ganhaste tudo a nível de clubes. Na seleção também querias um título. Tu és o melhor do mundo, uma vez mais. Gostarias de conseguir o feito de Cristiano Ronaldo? Ser o melhor do mundo e conseguir o Campeonato da Europa? Achas que é complicado?
Era o meu sonho! O sonho que me falta cumprir. Infelizmente estivemos somente duas vezes muito próximos. Se calhar, não estávamos preparados, ou não tivemos a estrela que necessitávamos. Acho que está mais que na hora. Estamos sempre a falar que não estamos preparados, ou que os outros são melhores. Nós já provamos que não ficamos atrás de ninguém em nada. Temos sempre equipas portuguesas nas finais da UEFA Cup, por isso, não nos podemos queixar de falta de qualidade. Agora, falta perceber se somos capazes de passar essa qualidade para o campo. Não temos conseguido passar isso para o campo nas fases finais. No último mundial estivemos próximo. Neste Europeu espero que consigamos fazer história!
E o que é que faltou?
Faltou ganhar. Eu sempre digo: Falta ganhar! Por mais que falemos de experiência, de jogadores jovens, de jogadores mais experientes, na minha opinião, são tudo desculpas para metermos na cabeça que foi algo que aconteceu e não foi culpa nossa. A culpa é nossa. Nós não conseguimos transmitir aquilo que o treinador quer. Porque o treinador faz o trabalho diariamente connosco. Nós já chegamos preparados dos clubes. Quando chegamos à seleção, o treinador e a Federação dá-nos todas as condições para que tenhamos o melhor desempenho. Se nós não conseguimos, não vamos culpar o treinador, só porque é mais fácil mandá-lo embora do que os jogadores. Nós procuramos sempre uma desculpa, uma “excusa” como dizem os espanhóis, para mandar as coisas para os outros lados. Acho que cada vez mais os jogadores têm de se assumir. Os jogadores jovens têm de se assumir como o fizeram agora no Mundial e aproveitar cada Europeu, cada Mundial porque, por exemplo, para mim está a acabar enquanto para eles está a começar. Eles têm de perceber que o tempo passa a voar e se não ganharem agora, não sei quando é o fazem.
Sentes que és um líder dentro do balneário da seleção? Os jogadores mais jovens olham para ti como um líder? Assumes esse papel?
Sim. Tento assumir esse papel. Mais do que um líder, eu sempre quis ser um amigo, um companheiro, um exemplo para eles. Tento ser um exemplo dentro e fora de campo. Já cometi os meus erros, mas tento mostrar-lhes que não devem seguir esse caminho. O que é certo é que todos os jogadores jovens na seleção olham para mim não sei se como um líder, mas pelo menos como um exemplo, uma pessoa que chegou a este patamar e que eles também podem uns ídolos. Aquilo que eu tento passar é: eu estou do lado deles, eu quero o melhor para deles, porque o melhor deles vai ser o meu melhor e o meu melhor vai ser o melhor da seleção. Se cada um de nós conseguir dar o seu melhor, vamos todos sair a ganhar. Obviamente sinto-me feliz em ver jogadores jovens a chegar. Como eu quando cheguei novo à seleção e ver todos os jogadores como o André Lima, o Arnaldo Pereira ou o João Benedito, que eram os experientes e eu um jovem. No entanto, é um mau sinal porque quer dizer que isto está mais próximo de acabar para mim. Mas também é um bom sinal porque já estou na seleção há muito tempo. Quer dizer que consegui chegar ao patamar que queria, que é ser um líder, um capitão, um expoente máximo, que é a cara não só da seleção, mas também do desporto. Estou feliz por isso.
Tu segues a liga portuguesa de futsal?
Tento quase sempre ver os resumos da jornada do futsal.
Para ti este ano volta a ser a luta eterna Sporting e Benfica? Achas que o Sp. Braga tem qualidade para entrar na luta?
Eu digo sempre o mesmo. Por mais que o Sp. Braga tenha conseguido chegar às finais, a luta será sempre eterna. O Sporting e o Benfica são os dois clubes que têm o melhor orçamento, que apostam mais na modalidade, são clubes de campo e têm outra visibilidade. Agora, o que é certo é que os supostos pequenos conseguem sempre criar um grupo de jogadores, mais o treinador e o staff técnico, para se baterem de frente com eles. Não é fácil, porque estamos a falar de um Sporting que tem campeões da Europa, de seleções, italianos, brasileiros e tem uma qualidade fantástica. O Benfica tem apostado em jogadores estrangeiros como é o caso do Elisandro, no ano passado, o Raul Campos, o Franklin, tem agora o Robinho, que são todos jogadores referência, vice-campeões, campeões na Rússia, vice-campeões do Mundo e vice-campeões da Europa. É mais difícil às equipas pequenas baterem-se de frente com Sporting e Benfica porque também têm orçamentos distintos. Estamos a falar de realidades distintas. Eu acho que há sempre esse fosso entre os dois primeiros e o resto. Sei que o Fundão tem uma grande equipa, o Modicus, este ano entrou muito forte com a chegada do Joel Queirós. Acho que existem duas ou três equipas que se podem meter na luta. Ainda assim acho que vai pender sempre para Sporting e Benfica.
Tu és conhecido pela habilidade de marcar grandes golos. Golos que mais ninguém consegue marcar. Pela magia. Qual foi o golo mais espetacular que guardas na tua memória.
Eu guardo na memória os últimos dois golos que marquei no Europeu da Sérvia. Foram dois golos de inspiração total. Aquele contra a Espanha, nos quartos de final, quando dei o “cabrito” na ala ao Zézito e fiz o “pico” ao ângulo, numa altura em que estávamos a perder por 2-4. Podíamos chegar mais próximo. Sentir o apoio das pessoas da Sérvia nas bancadas. Estavam todas contra a Espanha e a favor de Portugal. Isso foi uma conquista bonita que conseguimos. Foi algo fantástico de sentir. E depois o golo à Sérvia. Não sei quando é que vai voltar a acontecer. Não sei se eu ou outra pessoa vai conseguir fazer outro assim. Um momento fantástico de inspiração. Já tinha treinado e não sabia quando é que ia acontecer e fazê-lo logo num Europeu, com 15 mil pessoas contra a equipa da casa, todas a assobiar. Conseguir converter esses assobios em aplausos e respeito foi algo de fantástico e que não vou esquecer.
O teu filho tem jeito para jogar?
Ele já joga. Não lhe quero meter pressão. É muito aguerrido. Tem coisas que eu sempre tive quando era pequeno: aguerrido, competitivo, não gosta nada de perder, chora quando perder. São coisas boas que bem moldadas, limadas e trabalhadas, pode ajudar a que ele venha a ser um jogador de qualidade. Também é canhoto, tem um bom remate, não sei se é tão técnico como eu, porque eu desde pequeno já tentava fazer malabarismos com laranjas e tudo, mas ele não vai muito nisso. Mas não quero meter-lhe a pressão de ser o próximo Ricardinho porque com certeza que ele já vai ter de conviver com isso. Não quero que seja mais um, como acontece no caso com o meu irmão que tem de se ver com isso todos os dias.
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