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Guia do Dakar - Carros

Guia do Dakar - Carros

The 06/01/2019 at 20:56Updated The 07/01/2019 at 12:07

Tudo o que precisa de saber!

CARROS / DAKAR 2019
ENTRE A SEXTA VITÓRIA PRIVADA E UM PASSEIO DO REI DAS DUNAS

Em 40 anos, as equipas oficiais têm dominado o “Dakar” nas quatro rodas: a Mitsubishi venceu 17 vezes; a Peugeot, 7; a Citroen, Mini e VW, 4; a Porsche, 2; Renault, 1. Restam cinco triunfos privados: os dos Range Rover na primeira edição (perdendo para as três melhores motos na classificação conjunta) e na terceira, o Mercedes de Ickx em 1983 (sim, privado, pois era mais um projecto da Texaco do que da marca germânica) e os dois de Jean-Louis Schlessser com os Buggy-Renault, o último em 2000. Será que Sebastien Loeb conseguirá vencer esta edição como piloto privado, ao volante de um Peugeot 3008 DKR da PH Sport?
Esta é uma das grandes interrogações do “Dakar” 2019 nos carros. O evento sorrirá finalmente nove vezes campeão do mundo de ralis e logo no ano em que a marca francesa deixou a prova nível oficial? Ou será que a Toyota, depois de vencer pela primeira vez as 24 Horas de Le Mans em 2018, conseguirá também no “Dakar” colocar um ponto final em demasiados anos de expectativas goradas? Ou teremos a Mini, com a X-Raid a apostar em dois carros diferentes, a regressar ao triunfo do qual está arredada desde 2015?
Uma coisa parece certa – o vencedor da 41ª edição nos carros sairá de uma destas três “opções”. Três marcas que vão a jogo com “fatos” bem diversos, todos com evoluções, menos os 3008 DKR. A Toyota continua a apostar nos 4x4 com motor “encorpado” a gasolina; os Peugeot, mesmo privados, representam o que mais eficaz há no campo dos buggy 2RM turbo-diesel. A Mini coloca os ovos dos dois lados da cesta (2 e 4 RM, mas sempre turbo-diesel) e com uma equipa de pilotos que soma qualquer coisa como 21 vitórias na prova!!!
Na areia das dunas e nas pistas abertas, os buggy, fruto de um menor peso, rodas de maiores dimensões e o sistema automático de pressão de pneus, podem fazer a diferença. Mas os 4x4, sobretudo a gasolina, são mais lineares na potência e menos intempestivos de guiar. Um factor a ter em conta nas dunas, mas também em zonas mais sinuosas, onde a tracção pode fazer ganhar segundos. Quase me atrevo a dizer que, mais do que os carros, vão ser os pilotos a fazer a diferença. Não apenas em andamento (aí parece ser “a fundo” para todos... e todos eles são de primeira água), antes na gestão das dificuldades, sejam do terreno, seja da mecânica.

Carlos Sainz, Cyril Despres and Stéphane Peterhansel (X-raid MINI JCW Team)

Carlos Sainz, Cyril Despres and Stéphane Peterhansel (X-raid MINI JCW Team)Eurosport

PEUGEOT

Le pilote français Sébastien Loeb se prépare à vivre son 4e Dakar

Le pilote français Sébastien Loeb se prépare à vivre son 4e DakarGetty Images

TOYOTA

Depois de ter ganho Le Mans após 30 anos de tentativas falhadas, a marca japonesa deseja, finalmente, vencer o Dakar. Seria uma forma perfeita de completar um “bouquet”, onde se juntou o regresso a um título de marcas no WRC.
Para a aventura 2019, a marca nipónica continua a apostar numa versão “extreme” da pick-up Hilux, mas sempre de tracção total (o projecto 2RM foi abandonado). Muitas novidades, no entanto: novo chassis, mais leve do que nunca, mas reforçado, tendo em conta que o usado por Ten Brinke chegou ao final da edição 2018 cheio de fissuras. Na “caça às gorduras”, a Toyota conseguiu ficar 40-45 kg abaixo do peso mínimo. Há também novas suspensões. O motor dianteiro está cada vez mais... central e em posição mais baixa, ainda que tenha perdido potência pelo facto do “estrangulador” da admissão de ar ser agora de 37mm e vez de 39mm (mantém-se para os turbo-diesel). Só que nas dunas, o binário, que se manteve intocável, pode fazer a diferença. No capítulo da disponibilidade de potência, o V8 a gasolina proveniente do Lexus IS-F tem para dar e vender, sem que haja o problema de perdas em alta altitude, como acontecia em algumas zonas da Argentina e da Bolívia.
A BF Goodrich desenvolveu um novo pneu para os Toyota (e Mini 4x4), passando esse a existir em duas misturas de borracha – macia e média.
Entre carros oficiais (3) e privados, a equipa Overdrive de Jean-Marc Fortin (que trabalha com a Toyota desde 2012) leva 11 veículos ao “Dakar” 2019. As Hilux oficiais continuam a ser feitas na África do Sul, pela equipa liderada por Glynn Hall; as privadas em Huy, na Bélgica. Os motores são realizados na Toyota Gazoo. Entre os Toyota oficiais e os privados (geração 2019) há uma única diferença – o diferencial central, também ele realizado no Japão.
Será tudo isto suficiente para o triunfo? Acredito que sim. Nasser Al-Attiyah, Giniel de Villiers e Bernhard Ten Brinke (que trocou o agora reformado Michel Perin pelo bem conhecido Xavier Panseri, tendo os dois feitos várias provas do campeonato francês de todo-terreno), têm experiência suficiente... até para fazerem jogo de equipa se for necessário. O qatari, vencedor em 2011 com a VW e em 2015 com a Mini, parte como chefe-de-fila e grande favorito. O facto de a prova ter muitas dunas, pode ser uma vantagem para Nasser, que as adora. E a concorrência interna não parece à altura. Diferente teria sido se alguns dos ex-pilotos da Peugeot, que passaram para a Mini, tivessem ido mais longe que simples sessões de testes com os Toyota. Sainz e Peterhansel queriam muito dinheiro e gerir o ego do espanhol, do alsaciano e de Nasser na mesma equipa nunca seria fácil...
Em 2018 ninguém venceu mais etapas que Nasser (4) e a Toyota impôs-se em 6 das 13. A vitória que chegou a parecer possível, perdeu-se com uma série de “dejantamentos” na Hilux do qatari durante a 4ª etapa. Nessa altura, cedeu quase uma hora, tendo ficado depois a 43 minutos do vencedor. Evitando situações idênticas, não será fácil bater Al-Attiyah...

AS OUTRAS MARCAS “OFICIAIS”

A Geely regressa ao Dakar, não com os 4x4, antes com os antigos buggy de SMG que Philippe Gache lhes vendeu. Gache foi escolhido para guiar um deles, num regresso ao volante. O outro será para o chinês Han Wei.
No campo da Borgward houve melhorias no BX7 de Erik Wevers, como mostrou o sétimo posto na Baja Portalegre. O mesmo aconteceu com o buggy SsangYong, agora Rexton e não Tivoli (32º em 2018), equipado com um V8 a gasolina de 335 cavalos. Oscar Fuertes volta a ser o piloto da equipa com base em Espanha. Uma palavra também para o regresso da Mitsubishi a um nível oficial muito envergonhado (via a filial espanhola). O carro é um Eclipse Cross turbo-diesel T1 de 340 cavalos e será guiado por Cristina Gutierrez.

ROBBY GORDON

Robby Gordon está de volta ao “Dakar”. Desta feita, aposta num Textron da categoria Score Open 1, num fundo um SxS/UTV com “hormonas”. E como pedia Zeca Afonso, o americano trouxe amigos também - Blade Hildebrand e Cole Potts, ambos estreantes, mas com muita experiência de Bajas e das provas de trucks em estádio.
Gordon quer, sobretudo, dar espectáculo e tentar ganhar mais troços (tem 10 triunfos), ainda que dificilmente volte ao pódio que obteve em 2009.

PRIVADOS

Dois ex-vencedores da Africa Eco Race estão à partida: o russo Vladimir Vasilyev, que trocou o Mini por uma Toyota Overdrive, e Mathieu Serradori, com um buggy LCR 30.
Martin Prokop aposta em fazer melhor que o 7º posto de 2018 com a mesma Ford Raptor RS Cross Country, ainda que desenvolvida a nível de motor e chassis.
No campo Toyota, Ronan Chabot, um dos ex-reis dos buggy (7º em 2013), volta a dispor de uma Hilux para o 17º Dakar, tendo em Erik Von Loon outro grande adversário para o lugar de melhor dos pilotos Overdrive privados.
Com um Mini 4x4 versão 2017, Boris Garafulic, que fará o 8º Dakar de novo com Filipe Palmeiro, será outro que deseja, finalmente, chegar ao Top 10, depois de ter ficado três vezes a “bater à porta”.
Há mais dois Peugeot 3008 DKR Maxi, inscritos pela Easy Rally Raid para Jean Pascal Besson e Pierre Lafay. O top 15 é o objectivo, tal como acontece com a “besta” Jefferies Dakar dos manos Tom e Tim Coronel, bem com o peruano Nicolas Fuchs que partindo de um Ford Raptor construiu um protótipo FRT. Ou até para o alemão Jurgen Schroder, que apesar dos 60 anos, quer mostrar a valia das Nissan Navara V8 Red Line/South Racing, numa equipa de três carros completada pelo britânico, Thomas Bell, e o sul-africano, Shameer Variawa, ambos residentes no Dubai e estreantes na prova. A estreia de uma pick-up (Ute) do australiana Holden para Stephen Riley também merece referência.
Portugal está representado na classe TADS, de "assistência especial" com a dupla Bruno Martins e Rui Ferreira com um CanAm X3 UTV inscrito como TADS (assistência em especial).

O MEU TOP 10 (CARROS): 1. Al-Attiyah; 2º Loeb; 3º Peterhansel; 4º Roma; 5º Terranova; 6º Hunt; 7º De Villiers; 7º Despres; 8º Gordon; 9º Przygonski; 10º Ten Brinke

João Carlos Costa