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Prato único - Peru recheado!

Prato único - Peru recheado!
By Eurosport

The 06/01/2019 at 19:40Updated The 07/01/2019 at 11:55

Comentador de desportos motorizados, João Carlos Costa, faz a antevisão da 41.ª edição do Dakar.

Arranca hoje o "Dakar" 2019, que o Eurosport irá acompanhar diariamente até dia 18, sempre às 22h00. Tempo de apresentações e da minha habitual aposta no Top 10 de carros e motos (top 5 para as restantes categorias).

PRATO ÚNICO - PERU RECHEADO

Começo, no entanto, com um olhar sobre o percurso desta 41 ª edição da prova, que completa assim quatro décadas de existência. Esta é a décima viagem por terras da América do Sul, talvez a última, com a Arábia Saudita, quem sabe a Argélia, no horizonte. Um evento único na história da aventura extrema de Thierry Sabine”, pois pela primeira vez realiza-se num só país. Com as mudanças políticas no Chile, a crise económica na Argentina e a falta de entendimento com Ivo Morales para a manutenção da Bolívia, a ASO acabou por ficar apenas (e tardiamente) com o apoio do Peru. Não teve outra solução se não depenar o bicho” da melhor maneira, juntando-lhe um recheio” bem saboroso. Pelo menos assim parece antes de ser esquartejado”...

Sébastien Loeb lors du Dakar 2019

Sébastien Loeb lors du Dakar 2019Getty Images

Feitas as contas, o Dakar” 2019 tem a menor quilometragem total (aproximadamente 5600 km) e de troços cronometrados (quase 3000 km) de sempre. No fundo, pode ser o início de uma nova Era, com a maior competição TT do Mundo a diminuir número de dias e a quilometragem, para satisfazer novos "públicos".

Serão menos 30 por cento que na edição anterior. Mas desses, 70 por cento passam por pisos de areia e dunas, a essência mágica que faz sonhar com o Dakar”. Pessoalmente, considero que falta a mescla de terrenos, até de paisagens, que têm sido um dos pontos altos da América do Sul. Agora em termos competitivos estão reunidos (pelo menos no papel) todos os condimentos para um enorme rali. As pistas são idênticas às da primeira semana da edição anterior, que mereceu o enorme aplauso de todos pelas dificuldades quase únicas que apresentou.

O desafio ao longo das 10 etapas será enorme. Muita areia, muitas zonas de montanhas dunares. Será preciso uma enorme forma física, conhecer bem as técnicas de ultrapassar dunas (pressão de pneus e zona de ataque” ideais) e ser muito forte em navegação. Todos os dias terão grandes dificuldades para resolver e não haverá as habituais etapas de transição.

Tacticamente, será também um Dakar” diferente. Não haverá espaço temporal para jogos defensivos, havendo menos de três mil quilómetros de sectores selectivos, no total dos 10 troços que variam entre os 84 km (1ª etapa) e os 450 km (5ª etapa). Por isso, os candidatos aos triunfos andarão quase sempre no fio da navalha”. No entanto, é preciso encontrar um bom compromisso entre andamento (muito) rápido e o evitar erros. Como o tipo de terreno pode ser mais condescendente com a mecânica, favorece a vontade de andar mais veloz. Feitas as contas, como muitas vezes acontece no Dakar”, o triunfo pode ir parar a quem passar por menos dificuldades... e os que tiverem as melhores estruturas para que o carro esteja perfeito a cada manhã. As assistências estarão menos cansadas por longas viagens, havendo apenas quatro bivouac diferentes. Já aos concorrentes são apresentados alguns desafios de bela monta. Por exemplo, as tiradas maratona (4º e 5ª) com bivouac mínimo em Tacna, exactamente as duas antes do dia de descanso em Arequipa. Mas há mais novidades: na 2ª etapa os carros partem na frente das motos; na 8ª, conhecida como Super-Ica, os 10 melhores carros, as 10 melhores motos e os 5 melhores camiões arrancam misturados na frente; nas 5ª (dunas de Ilo) e 9ª (praia de Pisco) haverá partida em grupo de carros e moto. Apenas duas etapas terão percurso diferente para carros e motos (a antes e a depois do dia de descanso), fazendo com que os 4 rodas” tenham mais 78 km contra o cronómetro.

Paulo Goncalves Gonçalves Rally Dakar 2016 Honda Rali

Paulo Goncalves Gonçalves Rally Dakar 2016 Honda RaliEurosport

Agora que comece a acção porque a fita” promete muito e em todas as cinco categorias – Carros, Motos, Camiões, Quads e SxS. Apontar um vencedor em cada uma delas é ainda mais difícil que escalar (e depois descer) as dunas do deserto peruano. Acredito mesmo que se venha a assistir a uma fantástica montanha-russa, com sobe e desce diários. E não é isso que desejamos sempre no Dakar”, seja onde for?

João Carlos Costa