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Pedro Sousa: “Sinto-me em grande forma!”

Pedro Sousa: “Sinto-me em grande forma!”
By Eurosport

The 08/01/2019 at 19:08Updated The 08/01/2019 at 19:37

A dias de terminar o ano de 2018, o tenista Pedro Sousa passou pelos estúdios do Eurosport para uma entrevista onde falou sobre a sua participação no Open da Austrália, o primeiro torneio de “Grand Slam” da temporada, e também sobre a época que terminou.

À beira de entrar no top-100 do “ranking” mundial, Pedro Sousa mostrou-se ambicioso e otimista para os desafios que o esperam em 2019. O ano começou da melhor maneira. Face a várias desistências, Pedro Sousa estará pela primeira vez no quadro principal de um “Grand Slam”!

Open da Austrália requer uma preparação específica. Em que é que se difere de outros torneios de ‘Grand Slam’? Será o calor ou o início da temporada?

P.S. - Por ser o início da temporada é um pouco diferente porque temos mais tempo para preparar esse torneio. Não só esse torneio, mas a temporada em si. Aproveitamos para fazer mais trabalho físico e dar mais importância a essa parte que não temos tanto tempo para dar no resto do ano. São condições extremas. O calor tem um papel importante no torneio. O fuso horário. Não há uma preparação especial. Tenho treinado em Portugal de manhã e de tarde. Tenho feito muito físico. Vou arrancar para a Índia antes do final do ano para jogar aí e preparar-me da melhor maneira para a Austrália.

Como é que geres uma longa viagem de avião? Tomas um comprimido para dormir? É sempre complicado tendo em conta os fusos horários.

P.S. - Como é que eu giro as minhas viagens? É um assunto um pouco difícil porque como tenho medo de andar de avião são sempre momentos desagradáveis, digamos. Tento gerir da melhor maneira possível. Aproveitar para descansar. Não consigo dormir muito. Tomo um ou outro comprimido para ver se consigo dormir algo na viagem, mas é uma viagem bastante longa. De qualquer das formas chegamos lá de rastos a precisar de recuperar. Demora dois a três dias até o corpo estar a 100 por cento. Tento fazer isso da melhor maneira.

Se te fosse dado a escolher um rival quem escolherias?

P.S. - Se me fosse dado a escolher defrontar um dos craques talvez o [Roger] Federer porque é melhor de todos os tempos. Também é o mais velho e na minha opinião aquele que pode dar mais borlas. Tanto o [Novak] Djokovic como o [Rafael] Nadal são implacáveis nesse aspeto por isso acho que preferia o [Roger] Federer.

Comparativamente com outros torneios de ‘Grand Slam’, o que torna o Open da Austrália tão especial?

P.S. - Acho que grande parte do circuito, e eu incluo-me nessa parte, acha que é o melhor ‘Grand Slam’. As pessoas são simpáticas. A cidade é incrível. Tratam-nos muito bem. Somos sempre muito bem recebidos. Querem-nos fazer sentir em casa. Bem-dispostos. Há qualquer coisa naquela cidade que torna o torneio especial.

Qual é o teu estado de forma atual?

P.S. - Sinto-me em grande forma. Tenho treinado muito. Ando cansado. É normal nesta altura. Mas sinto-me bem. Acabei o ano em grande forma e espero começar assim o próximo.

Como é que vês as hipóteses dos outros portugueses no Open da Austrália?

P.S. - Tenho treinado com o João Domingues. Parece-me que está bem, está a ganhar forma. Também acho que tem as suas hipóteses de passar. Ele não será cabeça-de-série, mas num dia bom pode fazer frente a qualquer adversário. Tem as suas hipóteses. O João [Sousa] discute o jogo com qualquer adversário, é um jogador cada vez mais experiente e tem-se mantido no topo já há bastantes anos. Acho que pode chegar longe. Agora no US Open chegou à quarta ronda. Por que não fazer igual agora na Austrália?!

O ano terminou. Que balanço fazes da tua época?

P.S. - Foi uma época em que não comecei da melhor maneira, mas sensivelmente a meio do ano, a partir do Estoril Open, senti-me a melhorar e acho que acabei em grande forma e foi um ano bastante positivo.

Foi a tua melhor época de sempre?

Miguel Seabra e Pedro Sousa

Miguel Seabra e Pedro SousaEurosport

Qual o momento mais importante ou marcante da época que passou?

P.S. - Marcante, mas não muito pela positiva, quer dizer, foi pela positiva porque foi numa altura em que comecei a subir o meu nível, foi no Estoril Open, numa derrota bastante dura contra o João [Sousa]. Marcou-me muito ter perdido daquela forma, mas também me deu confiança para encarar o resto do ano e acho que foi a partir daí que comecei a jogar o meu melhor ténis.

Vários especialistas consideram que o teu jogo está a atingir a maturidade. Estás de acordo? A que achas que se deve isso? Os 30 anos trazem uma outra calma e uma leitura de jogo diferente em court?

P.S. - Acho que tenho vindo a melhorar bastante. Depois das operações, não sei o que aconteceu, mas melhorei bastante o meu nível de jogo. Tenho vindo a melhorar a cada ano em termos de ‘ranking’ e de nível de jogo. Estou a sentir-me melhor e acho que ainda tenho uma margem para melhorar um pouco mais.

Acreditas que as lesões te impediram de chegar a este momento mais cedo?

P.S. - Se calhar sim, mas se calhar deram-me outra bagagem, outra forma de ver o ténis que também me ajudou. Atingi o meu melhor ranking depois de ser operado, quando se calhar nem sabia se podia voltar a jogar. Por um lado, atrasou-me um pouco, mas, por outro, também vejo de forma positiva e ajudou-me noutras coisas.

O Pedro Sousa está no seu pico de forma ou ainda vamos ver mais?

P.S. - Espero bem que não! Espero que consiga ainda dar mais. Sinto-me com capacidade e com motivação para dar mais. Espero continuar a melhorar.

No resto do ano por onde vais competir? Já tens tudo planeado?

P.S. - Depois da Austrália vou para a Taça Davis, jogamos no Cazaquistão. Depois vou jogar os ATP’s da América do Sul em terra batida, sensivelmente até março. É o que tenho definido. E, claro, o Estoril Open também faz parte. Está reservado para jogar.

O presidente da Federação Portuguesa de Ténis acredita que em 2019 podemos vir a ter três ou mesmo quatro jogadores nacionais dentro do Top-100 do ‘ranking’ mundial. Concordas?

P.S. - Eu concordo que podemos ter três ou quatro no Top-100, não sei se serão todos ao mesmo tempo ou não. Eu estou com boas chances de entrar, o Gastão [Elias] acho que é uma questão de tempo até voltar a esse ‘ranking’, depois temos o João Domingues, o Frederico Silva, que acabou o ano em grande forma e já provou que consegue jogar a esse nível, que se conseguirem fazer resultados consistentes e manterem o nível durante o ano bem que podem chegar. Não sei se estaremos todos ao mesmo tempo. Aliás, não sei se vamos lá chegar, mas acredito que é possível, que todos temos hipóteses de atingir esse ‘ranking’.

Neste momento estás à beira do top-100. Como te sentes?

P.S. - É verdade. Acabei o ano muito perto. Já é a segunda vez. No outro ano estive em 102. Infelizmente lesionei-me e não pude competir. Agora acabei o ano a 104. Sinto que tenho boas possibilidades. Sinto que estou bem preparado. Vamos ver o que acontece.

Um desejo para 2019?

P.S. - Entrar no top-100.

Pedro Sousa...João Sousa...costumam confundir os vossos nomes?

P.S. - Confundir sim, muitas vezes. A marcar o campo, em Nova Iorque, o ano passado, foi um bocado difícil porque dizia ‘Pedro Sousa’ e aparecia a fotografia dele [do João]. Perguntam se somos irmãos, primos, familiares. Dizem até que somos bastante parecidos e temos atitudes parecidas. Mas não! Tenho de dizer que somos apenas amigos e jogamos ténis pelo mesmo país.